sábado, 21 de novembro de 2009

Hábitos culturais do Timor

Há bastante tempo queria escrever sobre esses temas, mas como são muitas coisas a escrever, acabei adiando.

A distância de minha casa em Dili para o meu local de trabalho é de aproximadamente 2 kms. Faço o percurso todos os dias a pé, é uma forma de exercitar-me e também a distância não é muito grande para ser feita de taxi, além de que o serviço de taxi nos bairros de Vila-Verde e Tuanalaran não funcionam muito, seja porque as ruas são esburacadas e os taxis evitam passar por elas, ou seja porque alguns taxistas temem esses bairros, já que em outros períodos eles foram palco de alguns conflitos.

Túmulo no cemitério de Santa Cruz em Dili

Mas em minha trajetória diária, entre gritos de "Malai" e de "para onde vai?", depois explico melhor o porquê dessas expressões, percebi o grande número de túmulos em frente às casas. Resolvi contá-los, cheguei ao número de 17 túmulos em apenas 2 kms. São quase 2 túmulos a cada 100 metros. Alguns túmulos são bem grandes e com grandes adornos, outros são bem simples e alguns muito pequenos, demonstrando que ali jaz uma criança.

Resolvi então saber a razão pela qual os timorenses enterram seus entes queridos em frente das residências, já que em Dili existe cemitério (Cemitério de Santa Cruz) e já que esse fato também havia presenciado em Ainaro, percebi que não é um hábito da cidade de Dili e sim de todo o Timor.

A explicação que os timorenses mais velhos me deram, foi que durante a saída das tropas indonésias em 1999 e durante a ocupação em 1975, muitos timorenses foram mortos. Como as famílias timorenses tinham que fugir para as montanhas e não queriam deixar os corpos de seus parentes exposto ao tempo para serem devorados por animais, então estes sepultavam os corpos em frente de casa e fugiam. Após a saída dos indonésios, esse hábito virou uma questão cultural e segundo os timorenses que consultei os parentes mais queridos (pais, filhos...) continuam sendo sepultados em frente de suas residências para ficar mais próximos dos seus.

Pelas informações que obtive, o Governo Timorense proibiu essa prática em vários bairros de Dili, numa tentativa de preservar o lençol freático de contaminações provenientes desses túmulos, mas em bairros mais carentes a prática ainda continua.

Para um próximo post colocarei as fotos de alguns desses túmulos. Ainda não tive coragem de fotografá-los, os familiares podem achar falta de respeito.

Um comentário:

Manu F T disse...

Isso é uma maneira de sempre lembrar de bons momentos com seus parentes queridos!